sábado, 25 de fevereiro de 2012

Um olhar para o passado...

Não sejamos saudosistas! Mas olhar estes vestidos e não desejá-los é impossível para mim...rs




Salve Maria!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Casa arejada


Embora o verão já esteja no fim, trago algumas dicas para deixar a casa mais arejada:

1- Uma vez por dia, por pelo menos uma hora, abra as janelas e portas para permitir a entrada de correntes de ar, mas cuidado com a chuva.

2- Durante a semana, abra alternadamente todas as gavetas, portas de armários e sapateiras. Espaços pequenos também precisam ser arejados.

3- Como o verão é caracterizado por chuvas, opte por modelos de janelas duplas em que a parte externa tenha pequenos orifícios. Assim o ar entra mesmo com ela fechada.

4- Espalhe flores que se adaptam a ambientes fechados, como orquídeas, jasmins e rosas. Elas ajudam a umedecer o ar.

5- Aposte em arranjos com maçã-verde. Elas trazem frescor e garantem um perfume agradável.

6- Aproveite a estação para tirar tapetes e carpetes de circulação. Além de acumularem mais sujeira, eles retêm por mais tempo o calor.

7- Caso opte por mantê-los, dê preferência a modelos com fios curtos e cores claras.

8- No caso das cortinas, aposte em modelos com tecidos mais leves e transparentes, que balancem com o vento.

9- Com o sol forte, deixe persianas parcialmente fechadas, mas sempre deixando entrar a ventilação.

10- Sofás com tecidos pesados, como o veludo e a camurça, não combinam com o verão. Cubra-os com capas de tecidos leves, como o algodão e o linho.

11- Deixe de lado as mantas de sofá. Guarde-as para o inverno.

12- Troque as capas das almofadas por tecidos mais leves e que não aumentem a sensação de calor ao se encostar, como o algodão, o linho e a seda.

13- Aposte em pisos frios como o mármore e porcelanato.

14- Ventiladores, ar-condicionados e umificadores portáteis também são boas opções para refrescar o ambiente. Hoje, existem vários modelos que podem combinar com a decoração.

15- As fontes naturais, além de deixarem o ambiente charmoso e cheio de estilo, ajudam a umedecer o ar. O mesmo ocorre com aquários. Aposte neles.

16- Verifique se protetores de porta não estão impedindo a passagem de ar.

17- Quanto maior a quantidade de objetos expostos, maior a sensação de calor. Aposte em uma decoração mais clean.

18- Desocupe os ambientes com móveis desnecessários. Um espaço mais amplo ajuda a melhorar a sensação de frescor.

19- Itens de vidro refrescam o ambiente. Invista em móveis, vasos e revestimentos.

20- Caso esteja disposta a pequenas reformas, aposte em tintas, papel de parede ou adesivos com cores claras e tons pastel.

21- Se for utilizar aromas dentro de casa, opte por fragrâncias mais refrescantes, como as cítricas e a lavanda. Evite aromas adociados, como o de baunilha e o de tutti-frutti.

22- Guarde as roupas de cama pesadas e escuras (cobertores e mantas) e troque por lençóis e fronhas com tecidos mais leves. Cores mais claras minimizam a sensação de calor.

23- Regule seu chuveiro para uma temperatura mais amena, evitando o superaquecimento do banheiro. Com o corpo menos quente a sensação de frescor é maior.

24- Aposte em uma iluminação mais indireta e dê preferência às lâmpadas de LED, que não aquecem o ambiente.

25- Se tiver alguma luz focal dicróica perto de plantas, coloque filtro azul, que imita a luz do luar e dá uma sensação bastante agradável.

26- Luzes acesas e aparelhos eletrônicos conectados na tomada aquecem o ambiente aumentando a sensação de calor.

27- Se possível, lave as roupas no fim do dia. A umidade das peças penduradas no varal ajudará a refrescar o clima da casa durante as noites mais quentes.

Fonte:
Benfatto Organiza – Irene Cristina Loureiro
Ita Rodrigues

Retirado daqui: http://delas.ig.com.br/casa/servicos/casa-mais-arejada/n1238126207618.html

Lucie.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Às vezes chove...


Com tantas misérias humanas dentro de nós não é de se estranhar que uma vez ou outra nos encontremos entristecidos e chorosos, com a alma assim meio para baixo e com uma sensação um tanto quanto incômoda, sem saber ao certo o que nos provoca tal e qual tristeza solitária.
Percebo em mim uma pequena solidão que por vezes me visita e deixa sua impressão tristonha. Às vezes acontece-me tal experiência aos fins de semana que não posso ir a São Paulo assistir Missa,  ou fico sem companhia, ou então quando chove.
Não sei se deveria atribuir este meu estado de espírito à chuva, sendo ela tão linda e necessária, mas não é de hoje que percebo meu espírito encolher-se dentro de mim quando uma tempestade aponta no horizonte.
Não podemos permitir que estes ânimos tristonhos que às vezes nos invadem reinem sobre nós. É preciso expulsá-los com a mesma prontidão com que penetraram em nossa alma.
Que fiquemos tristes com coisas motivadas é absolutamente normal, como a morte de alguém , uma briga ou alguma coisa ruim que nos acontece por exemplo, e seria um absurdo e até antinatural se não nos entristecêssemos nestes casos, mas quando se trata se tristezas imotivadas não podemos deixar que nosso espírito se curve a isso.  
Quando me sinto assim sempre faço leituras espirituais, buscando nas palavras de Nosso Senhor o consolo para minha alma miserável. Leio nas sagradas escrituras os conselhos e exortações do Salvador, ou então em algum santo que, inspirado pelo Espírito Santo, imprimem também muitas impressões em mim. Ou então busco refrescar meu espírito com Cantos Gregoriano e alguma música alegre de Bach ou Mozart. E quando todas estas coisas não adiantam busco ajuda na oração que é sempre consolo para as almas solitárias.
Lembro-me que quando não tinha fé experimentava também certa solidão que, mesmo estando eu no meio de muitas pessoas, me entristecia horrivelmente e me arrastava para um buraco negro de onde eu não conseguia sair. Não conhecia nenhum meio para remediar tal situação e também não procurava expulsar tal estado de espírito, por que achava "normal" que me acontecesse isso, e pensava ser falta de algo que não tinha (estar longe de meus pais, por exemplo).
Realmente era falta de algo. Mas um algo muito mais importante que meus pais e meus irmãos, sentia falta de Deus. Tanto que, quando estava perto de meus pais também me sentia triste alguma vez e era obrigada a procurar outra explicação para a solidão que me visitava.
Era assim quando não conhecia a Deus, mas depois que O conheci finalmente, muitas coisas mudaram em minha vida e meu interior passou a estar sempre preenchido de modo que eu não sentia mais nenhuma tristeza e nenhuma solidão. Meu coração estava sempre alegre e cantarolando alguma canção. Dormia a acordava pensando em Nosso Senhor, e suas palavras estavam até em meus sonhos. Nosso Senhor Jesus passou a ser a minha companhia diária, de modo que trabalhasse, estudasse ou descansasse estava Ele sempre em meus pensamentos. Experimentava de uma consolação verdadeiramente sensível que por muito tempo não me senti nem sozinha, nem triste.
Mas este estado de consolações sensíveis também passou, visto que Deus retira vez ou outra as Suas consolações para confirmar na fé as almas dos seus fiéis. Ser fiel quando o espírito está assim cheio de consolo não é tão virtuoso como quando se é fiel sempre, mesmo quando o espírito está inundado de aridez e um tanto quanto solitário. Como disse o papa Bento XVI, "ninguém é realmente maduro enquanto não experimente a própria solidão".
Importa não permitirmos que esta tristeza sem motivo nos perturbe a ponto de cedermos a ela, curvando aos seus caprichos e se entregando de modo covarde, sem nem lutar.
 É preciso resistir, mas não sozinhos, senão com a ajuda de Nosso Senhor que nos ama e nos chama à alegria da vida eterna. Ele, o Deus que alegra a nossa juventude, é quem nos puxará da nossa solidão miserável e nos sacudirá para que vejamos que não há motivo para tristeza senão aquilo que nos separa dEle.
E tendo imprimido na alma estas certezas não restará espaço para a solidão, pois que sempre nos proporemos a encher o nosso espírito em Deus. É de Nosso Senhor que vamos nos alimentar quando nada mais nos mate a fome. É nEle que vamos falar quando nada mais nos seja prazeroso comentar. É em Nosso Salvador que vamos morar quando nossa casa já não esteja habitável. É para Nosso Jesus que vamos olhar quando nada mais ao nosso redor tenha graça, e é em suas chagas, abertas por causa dos nossos pecados que vamos nos esconder quando tudo nos pareça ofensivo. É só em Cristo, pregado na Cruz por culpa nossa, que vamos achar consolo quando nada mais pareça consolável.
É para Nosso Bom Deus que devemos olhar quando tudo estiver nebuloso por causa da tempestade. Ele deve ser o Norte, para onde devemos caminhar ainda que não enxerguemos mais nada; se olharmos para Nosso Jesus saberemos para que lado seguir e os passos serão firmes e precisos novamente.
Santa Terezinha do Menino Jesus, dizia que ela era como um pintinho que às vezes se distraía com uma minhoquinha ou bichinho, mas sempre sabia que seu Sol estava lá em cima a aquecê-lo. Às  vezes acontecia de chover e o pintinho ficar assim todo molhado, tremendo de frio e quando olhava para o céu em busca de seu Sol encontrava as nuvens que o tapavam. Mas em vez de olhar para outro lado, em vez de buscar outras coisas ficava lá, imóvel com os olhos mirando o céu, pois sabia que mesmo que as nuvens escondessem o seu Sol ele estava lá atrás das nuvens.
Santa Terezinha sabia que mesmo que nossa alma esteja assim nebulosa é preciso manter os olhos firmes no Sol de onde provém a luz. Ainda que muitas nuvens limitem nossa visão e não nos permitam vÊ-lo, ainda sim Ele estará lá, pronto para nos iluminar e aquecer se não tirarmos os olhos dEle.
Lembremo-nos pois desta pequena santinha que muitas vezes se viu com a alma privada de todo o consolo e no entanto sempre estava com os olhos voltados para Deus. Lembremo-nos dela como exemplo de alma simples e pequena, mas que em sua pequenez alcançou o céu e está hoje junto do Sol que a iluminou e a guiou durante a sua breve vida.
Pode talvez parecer difícil uma vida inteira de penas e contrariedades pelas quais temos que passar, mas esta impressão desaparece quando nos lembramos que Deus que nos pede apenas o presente, que é composto por 24 horas apenas. Deus pede que vivamos o nosso hoje, mas que seja uma hora de cada vez, e esta hora que a vivamos um minuto por vez. Deus é maravilhosamente generoso conosco que nos pede um minuto por vez de nossa existência, quase que como migalhas. Ele nos pede as migalhas de nós mesmos, e ainda assim, alguma vez, nós lhE negamos.
Pensando em como é pouco o que Deus nos pede em comparação com seu enorme amor e incomensurável recompensa, encontramos coragem para lhE dar o nosso agora, e todas as horas do dia, e todos os dias de nossa existência.
Então se a solidão e a tristeza das contrariedades nos visitarem hoje lembremo-nos que o nosso hoje pertence a Deus, e é para Ele que devemos dirigir todo o nosso tempo.
In Cor Jesu et Mariae.
Lucie.


domingo, 15 de janeiro de 2012

A educação estética.

Marten de Vos- Las siete artes, colección privada (1590)
Como aparentemente o público que visita este blog parece ser, em sua maioria, de mães ou moças que desejam ser mães, pensei ser proveitoso compartilhar este pequeno e modesto texto sobre a educação estética.

Pois bem, o que vem a ser a estética? A estética é a área que estuda aquilo que abrange o belo, em especial na arte. Trata-se de estudar as condições que uma coisa necessita para que seja considerada bela.

Uma boa educação católica deve ser aquela que abranja a educação da inteligência, vontade, religiosa e moral. Mas para que a formação seja completa deve-se dar atenção também as artes, pois, sem dúvida fazem parte da vida do homem e exercem grande influência na alma. Os pais que julgam ser esse assunto secundário na formação de seus filhos correm grande risco, nesta subversão moral, religiosa e filosófica que hoje atravessamos, de perderem seus filhos para o mundo, fazendo assim com que se deixem iludir com a péssima arte que hoje circula por ai e que certamente vai minando de pouco em pouco toda a piedade religiosa dessas jovens almas.

A seguir tentarei expor o assunto da estética de forma um pouco mais simples, visando àqueles que não estão inteirados da linguagem filosófica, visto que esse é um assunto da filosofia.

Infelizmente hoje em dia qualquer coisa pode ser considerada arte, alguns poucos exemplos disso são o famoso mictório de Marcel Duchamp, o movimento expressionista e o Rock na música. E porque tais coisas são consideradas como arte? Simplesmente por que o homem retirou Deus como centro de sua vida, como regulador de seus atos, como seu fim último, subverteu a função da inteligência. Não falarei dos aspectos específicos dessa pseudo arte,citada acima, pois, foge ao objetivo do texto. Ao expor os aspectos da reta beleza o leitor poderá tirar boas conclusões sobre tal “arte”.

Diferente do que se pensa hoje, a beleza não é algo subjetivo, algo que dependa do gosto de cada um. Santo Tomás de Aquino define o belo como id quod visum placet, o que agrada ver. Para que algo seja belo, e toda arte deve ter como objetivo a beleza, seja para proporcionar a elevação da alma a Deus ou somente o prazer estético, três coisas são necessárias: Unidade, verdade e bondade, visto que esses são aspectos transcendentais do ser e Deus é o Ser absoluto, pois, contém de modo perfeito essas três coisas, e tudo aquilo que vemos de uno, verdadeiro e bom – belo- nas coisas sensíveis não são mais que um reflexo imperfeito daquilo que Deus tem em perfeição. Por tanto é obrigação de todo católico buscar a arte que contenha esse reflexo de Deus.

Unidade – Essa unidade de que falamos é aquela que se dá em meio à variedade, ou seja, um determinado objeto que possui partes separáveis e que deva ser visto como um todo. Exemplo: A simetria, a ordem, a adequabilidade, a harmonia, as proporções adequadas das linhas da face e das partes constitutivas de um edifício; a admirável coordenação das diversas partes de uma flor ou a unidade da idéia que atravessa uma ária musical.

Verdade – A verdade é objetiva e pode ser perfeitamente conhecida pela inteligência. A verdade implica automaticamente a inteligibilidade, ainda que em mais ou menos graus, pois, sabe-se que nossa inteligência é limitada. Na definição de Santo Tomás a verdade é a adequação da inteligência ao objeto. Portanto para que um objeto – obra de arte- seja verdadeiro é necessário que seja inteligível, verdadeiro em si mesmo, não dependendo de nosso intelecto. Há uma frase de Santo Agostinho que demonstra muito bem esse conceito- “A verdade não é minha e nem sua, para que seja nossa”. Ou seja, a verdade está nas coisas e nossa inteligência apenas capta essa verdade. Ai está então a conclusão de que a beleza em uma obra de arte não depende do “gosto” de cada um, ela existe por si só.

Bondade – Na estética a bondade está relacionada com a atração. Tal objeto é bom na medida em que nos atrai, agrada, pois, naturalmente o homem tende sempre ao que é bom. Mesmo quando busca um mal, é sempre – enganado- achando que está buscando um bem.

Quem poderia sentir-se repugnado ao ouvir uma obra como a “Paixão segundo São João” de J.S.Bach? Ou ainda um “concerto grosso” de Coreli? Quem poderia não ficar maravilhado diante de um quadro de Fra Angélico ou um “O filosofo” de Rembrandt?

Certamente os que preferem ouvir Rock, ou contemplar o mictório de Duchamp, perderam por completo, ou nunca tiveram a reta capacidade de apreender o belo, que, lembrando, existe independente de o reconhecermos nas coisas.

Para um próximo texto poderíamos falar de outros elementos como Acabamento, proporção e clareza, mas, para que o texto não fique longo por demais encerramos por aqui.

Esta é a nossa pequena colaboração para aqueles que desejam proporcionar aos jovens uma boa educação artística. Lembrando que a arte é um elemento inevitavelmente presente e necessário na vida do homem, portanto, que seja a boa arte, aquela que nos auxilia na vida espiritual, que está de acordo com a natureza humana que tende sempre ao bem.

Tendo um mal gosto artístico, ou seja, contemplar ao que é feio, é ir contra nossa própria natureza.

Que santa Cecília, beato Frá Angélico e São Gregório nos ajude em tempos tão ruins como o nosso.

Bruno Inácio.

PS: Agradeço ao espaço concedido pela minha querida namorada.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Presente feito a mão.






Fiz esta bolsinha e esta bonequinha para presentear uma amiguinha muito querida.

Ficou meio feinho no pescoço porque eu não soube fechar direito. Mas nas próximas que eu fizer vou melhorar.


Lucie.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Lembrança de Criança


Deus em sua grande bondade nos concede lembrarmos nós das coisas pelas quais passamos para que nisto reconheçamos também a sua bondade. Ter memória é realmente necessário para lembrar-se dos mandamentos e de tudo que estudamos para exercer bem nossas obrigações de cristão.
 Deus nos concede a memória para que nela guardemos tudo que se passa em nossa vida e que tenha algum valor.
 Desta forma é que nos lembramos das coisas mais insignificantes e longínquas. De um episódio da infância, de uma surra que levamos, dos conselhos dos avôs, dos irmãos que nasciam e que esperávamos com grande alegria e com uma pontinha de ciúmes. Da boneca que cortamos os cabelos, das primeiras pedaladas de bicicleta, das goiabeiras, do cachorrinho e dos amigos.
 Também ocorre lembrarmo-nos de coisas mais tristes como a morte de um parente próximo, das brigas de nossos pais, ou de qualquer outro fato que de algum modo nos marcou.

 Eu, de modo particular me lembro de muitas coisas da infância.
 Lembro-me de quando tinha apenas três aninhos e que brincando com um ímã e alguns preguinhos que se levantavam quando os colocava perto do ímã bati com força em um deles porque queria que parassem de levantar, e furei com certa gravidade a palma da mão. Lembro que tive que ficar vários dias com a mão direita enfaixada e que doía muito, mas graças a Deus nenhuma seqüela me restou de tão infantil acidente.
 Também outra vez me aconteceu de estar fugindo de um cachorro e subir em um muro não tão alto, mas alto o bastante para mim que tinha apenas cinco anos, e de cair dele com o queixo no chão. Não quebrei nenhum osso, mas tive que passar por uma cirurgia que me custou vários gritos ecoando pelo hospital.
 E ainda de muitas outras coisas me lembro. Tive uma infância muito rica e saudável, pois vivia em uma chácara que me permitia a mim e a meu irmão mais velho corrermos pelos campos em meio a galinhas e patos, vacas e cavalos. A televisão era pouco freqüentada, e assistíamos apenas durante a noite e quando chovia, porque nos era impossível brincar fora de casa.

 E de tudo brincávamos. Pega-pega, esconde-esconde, cabra-cega, polícia-ladrão, de corda, de bicicleta, de subir em árvores, de bola...com quanta saudade me lembro deste tempo tão feliz da minha vida...Brincávamos de tudo, menos das brincadeiras apenas de menina. Meu irmão era mais velho e nunca se sujeitou às minhas vontades. Brincávamos de tudo, menos de boneca ou de casinha. Eu me sujeitava a todas as brincadeiras que ele sugerisse, por mais de menino que pudesse parecer e ele nenhuma vez cedeu às minhas súplicas para brincarmos de casinha. Já estava eu a sujeitar minha vontade a de um homem, costume que sempre me rondou desde muito pequena.

 Lembro-me de meu pai que passava o dia nas lidas da terra e do gado. Sempre estava ele com algum trabalho, aparentemente pesado, que realizava sempre muito quieto, assobiando de vez em quando alguma canção que eu não conhecia e “pitando” seu cigarro de palha quase que o dia todo.
 Lembro-me de minha mãe que saía todos os dias para trabalhar e voltava tarde do serviço. Eu ficava ansiosa à sua espera, olhando sempre para o portão esperando ver quando ela chegasse. Mas quando chegava sempre tinha afazeres domésticos e pouco era o tempo que deveras passava comigo e com o meu irmão.
 Queria me lembrar mais de minha mãe na minha infância. Queria me lembrar de seu rosto feliz enquanto cozinhava, queria que tivesse tido tempo para me ensinar coisas novas, queria ter ficado mais em sua companhia. Mas ela sempre foi obrigada a sair e ajudar meu pai no sustento do lar. Certamente que não era escolha sua, mas a isso teve de submeter seu tempo precioso, tempo este que era nosso, meu e de meu irmão.

 Queria me lembrar mais, queria ter aprendido mais, queria mais a companhia da minha querida mãe. Mas não nos é permitido sermos saudosistas à toa. Não se pode ter saudades do que não existiu.
 Devo sim agradecer a infância que Nosso Senhor  me proporcionou, a mim e a meu irmão. Fomos de certa forma protegidos do mundo e escondidos de todos os males que uma vida menos privada proporciona. Vivíamos em uma zona rural e lá é que construímos o nosso mundinho. Saíamos apenas para ir à escola e para visitar a família. Era nosso refúgio. Nosso esconderijo.
 Queira Deus que também eu possa proporcionar aos meus filhinhos esta vida doce de criança, onde reinam as cantigas de roda e as brincadeiras festivas. Que também eu saiba esconder e defender meus pequenos das máximas mundanas. Que eu possa sempre estar com eles em casa como uma sentinela que nunca abandona o seu posto.
 Que Deus me ajude!
 In Cor Jesu et Mariae,
 Lucie.