segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Sermão de Natal de São Beda, o Venerável


E eis que os pastores se apressam, com grande alegria, para ver aquele de quem ouviram falar. E como buscaram com fervoroso amor, mereceram achar rapidamente o Salvador. Assim também os inteligentes pastores dos rebanhos, ou melhor, todos os fiéis que se propõem a procurar a Cristo com o trabalho do espírito, o demonstram por suas palavras e atos.
Vamos até Belém, disseram, para ver esta palavra que se realizou. Vamos, pois, nós também, caríssimos irmãos, pelo pensamento, até Belém, cidade de Davi, e lembremos, cheios de amor, que nela o Verbo se fez carne e celebremos com honras sua Encarnação. Deixemos para trás as baixas concupiscências da carne e, com todo o desejo da alma, vamos até a Belém do alto, ou seja, a casa do Pão vivo, não fabricada, mas eterna no céu, e relembremos amando que o Verbo se fez carne. Para lá Ele subiu na carne, onde senta à direita do Pai. Procuremo-Lo no alto, com perseverante virtude, com coração solícito, pela mortificação do corpo, para encontrarmos reinando no trono do Pai, Aquele que os pastores viram chorando no Presépio.
 
E vieram apressados e encontraram Maria e José, e a criança recostada no Presépio. Vieram os pastores apressados e encontraram Deus nascido como homem e os ministros deste nascimento. Corramos nós também, irmãos, não com os passos dos pés, mas com o progresso das boas obras, para ver esta mesma humanidade glorificada, com seus ministros tendo já recebido a digna recompensa por seus trabalhos. Corramos vê-Lo na resplandecente majestade do Pai, que é também sua. Corramos vê-Lo, digo, pois tanta felicidade não se procura com vagar e preguiça, mas deve-se seguir as pegadas de Cristo com vivacidade. Pois Ele próprio, desejoso de ajudar nosso caminho, estende a mão, querendo ouvir de nós: "Atraia-nos atrás de ti, corremos no aroma dos teus perfumes".
 
Continuemos, então, apertemos os passos da virtude, para O alcançarmos. Ninguém se atrase a se converter ao Senhor, que ninguém deixe ir passando os dias; peçamos por todos os meios e antes de tudo, que Ele dirija nossos passos segundo a sua palavra e que o mal não tenha domínio sobre nós.
 
Ao vê-Lo, reconheceram a palavra que lhes tinha sido dita sobre esta criança. E nós, irmãos amados, as coisas que nos foram ditas sobre o nosso Salvador, Deus e homem verdadeiro, recebamos logo com pia fé e abracemos depressa com grande amor, para que possamos ter delas, no futuro, um perfeito conhecimento de visão compreensiva. Elas são a vida única e verdadeira dos beatos, não só homens, mas também dos anjos, que contemplam perpetuamente a face do Criador, como ardentemente desejava o salmista, que dizia: "Minha alma tem sede do Deus vivo, quando virei e aparecerei diante da face de Deus". E ele mostra que seu desejo não pode ser contentado com nenhuma influência terrestre, mas somente da visão de Deus, quando diz: "Ficarei saciado quando se manifestar a Vossa glória". E como não são os preguiçosos e os moles que são dignos da divina contemplação, nos adverte solícito: "Mas eu aparecerei diante de Vós na santidade".

 Fonte: http://permanencia.org.br/drupal/node/493

Vinde, Jesus Menino...



 Vinde, Jesus Menino, iluminar nossas miseráveis vidas, aclarear nossas mentes obscurecidas e elevar nossas vidas para as coisas eternas.

 Um santo e feliz Natal a todos!

 Lucie.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Desde cedo...

 A modéstia é uma virtude esquecida em nossos tempos. E devo dizer que é difícil se habituar a ela quando não se está acostumado desde cedo a praticá-la. Os hábitos bons devem ser aprendidos e praticados desde a mais tenra idade, e a modéstia se inclui nisso, para o bem dos nossos pequenos. 



 "Oh, mães cristãs, se soubésseis que futuro de perigos e íntimos desgostos, de dúvidas e irreprimível rubor preparais para vossas filhas e filhos, com imprudência em acostumá-los a viver parcamente vestidos, fazendo deles desaparecer o sentido natural da modéstia, vós mesmas enrubesceríeis, e vos horrorizaríeis pela vergonha que causais a vós mesmas e o dano que fazeis aos filhos que vos foram confiados pelo céu, para que crescessem cristãmente." (Papa Pio XII)

 Acredito que, se a modéstia for ensinada e praticada por nos mesmas, como exemplo aos nossos filhos, certamente esta virtude desabrochará mais facilmente na alminha deles.

 In Cor Jesu et Mariae.

 Lucie.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Marcos da eternidade.

Por Gustavo Corção.

No torvelinho das horas e dos dias convém considerarmos, vez por outra, os marcos imóveis, os sinais da eternidade. Vale a pena parar a carreira dos sucessos, e com voz de poesia perguntar às árvores espantadas, às pedras retraídas, às casas que ficam atrás dos portões de ferrugem e das janelas estremunhadas, se porventura entendem a avidez que nos impele, que nos compele a perseguir um bem que logo perde o sabor quando alcançado; se entendem essa fome que se muda em fastio ou náusea à medida que morre o momento que passa, continuando insaciável para os sonhos de fumaça impossível.

A árvore permanece, posto que aos ventos ofereça uma mobilidade dançante e cantante; a pedra permanece; o velho portão, malgrado a ferrugem permanece. São essências tranqüilas e bem ritmadas. A seu modo humilde imitam e refletem o  Imutável. Sendo o que são, com simplicidade robusta, trazem marca daquele que é o que é. Nós, ao contrário da árvore e da pedra, vivemos a fugir do que somos. Nós que fomos feitos à imagem e semelhança de Deus, fugimos de Deus e portanto de nós mesmos quando buscamos o absoluto no torvelinho das coisas. E assim, pelo sopro do espírito e pelo ímpeto de liberdade que nos faz mais próximos de Deus, tornamo-nos mais distantes e assim vivemos a correr, a fugir do que temos, a buscar o que nunca teremos, e a assistir à decomposição do que tivemos. Marta, Marta, de muitas coisas te ocupas, mas uma só é necessária...

Vale, pois, a pena, parar o frenesi e considerar os marcos de eternidade que a Igreja nos oferece nos tempos da Paixão. Amanhã ou depois os cuidados voltarão; hoje, detenhamo-nos diante da pedra de Pedro, da casa de Deus, a árvore do Crucificado. Amanhã ou depois voltaremos às nossas agitações, à perplexidade da política nacional e internacional, às notícias da cidade e do mundo, a tudo isso que será vaidade das vaidades e perseguição dos ventos, se não soubermos trazer para esses problemas dispersos o critério fundamental que os transfigura em caminhos de Deus.

Hoje estamos no limiar da Semana Santa, preparando nosso olhos para o quadro da vitória do Cristo, que a Igreja nos oferece com sinais moldados nas coisas peregrinas, e que nos deixa entrever, no outro lado do espelho, o país maravilhoso da divina esperança. A obra de Cristo, espécie de usinagem operada sobre a dor e a morte, e por conseguinte sobre o que constitui o máximo espanto do mundo, abre-se agora num estuário de glória. Assistiremos, durante a semana, à representação do drama onde se vê passar um Deus apaixonado. O Homem das Dores, irreconhecível para os que o flagelaram e o esconderam atrás da derisão, e todavia o mesmo coração vulnerado do Cântico dos Cânticos.

O cabo da travessia desse mar vermelho, o círio pascal será para nossa vida um diapasão de luz. São Bento ensina que a vida do monge deveria ser uma Quaresma contínua. A nossa também. E essa Quaresma deveria ser paixão e a paixão deveria ser morte; e a morte deveria ser Páscoa. A travessia, a transmutação que Deus espera de nós é uma conversão que vá deixando o que menos somos em favor do que verdadeiramente somos por dom de natureza e pelos dons da graça. De claridade em claridade, se formos dóceis, iremos caminhando por atalhos de dores, para o país do amor perfeito que tem bandeira de fogo em mastro de cera.

Parece-vos ingênuo – ó leitores tristes -  o quadro da Sião Gloriosa que a Igreja desdobra? Parece-vos estampa infantil a santa liturgia? Ou quem sabe se tudo isto não vos lembra apenas costumes obsoletos, cerimônia que os etnólogos explicam, ritos que os séculos científicos superaram? Por vós e por mim, receio que a simplicidade do quadro seja chocante, e não consiga atravessar a sebe de nossas complicações. Nós somos complicados; Deus é simples. Nós somos adultos e vividos; Deus é mais moço do que nós. Nós somos espertos, sinuosos, ardilosos; Deus escolheu para si as figuras do cordeiro e da pomba. Diz-nos a fé que ali, na outra margem do mar vermelho, onde brilha o círio da vitória, os enganos e tribulações terão desenlace de prodígio; que receberemos, em medidas de alqueire calcados, recalcados e transbordantes, o que não tivemos a audácia de pedir; que serão consertadas as contradições e nossos tristes amores; que a lágrima vira jóia; que a chaga vira for. Diz-nos a fé que naquele país de maravilhas do outro lado do espelho, teremos a paz.

Parece-vos ingênua – ó homens tristes – a linguagem da fé? Parece-vos insípida a comida da esperança? E quem pergunta poderá se gabar de melhor saber e de melhor servir? Não é a descrença que mais me espanta. A descrença, se me permitem os apologetas, tem certa lógica na sua retratação, no seu encolhimento, no seu propósito de não levar longe demais as investigações que podem terminar em incêndio. A descrença sob esse ponto de vista, é mais razoável, mais compreensível do que a crença imperfeita que se detém, que se encolhe, que se retrai, quando nela, na Fé, tudo pede expansão e conseqüência.

Talvez fosse melhor mudar de tom. A segurança da fé e a certeza da esperança seriam mais edificantes do que o título da perplexidade. Talvez fosse melhor, na festa da igreja, procurar pífaros e cítaras para contar o júbilo da alma Cristã no dia da Páscoa do Senhor, em vez de permitir ao velho coração um gemido de cansaço... Deus há de fazer que essa tristeza se converta em alegria e que a alguém aproveite o que a nós nos pesa. E privilégio seu; é ofício de seu Filho transformar a dor em salvação e a morte em vida.

In Cor Jesu et Mariae.
Lucie.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Colorido primaveril.


 A primavera começou já há algumas semanas e nos trouxe com ela o seu colorido. A luz do sol ilumina a cor clara e colorida das roupas e nos fazem ficar radiantes e às vezes até mais femininas.

 Gosto de cores primaveris, como laranja e amarelo, mas nem sempre sei combiná-las , então acabo usando sempre as mesmas cores neutras. Sei que, dependendo da ocasião, podemos sair com um colorido a mais nas peças, mas é preciso tomar cuidado com os execessos.








Bom final de semana a todos!

Salve Maria!

Lucie.

 

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

E não é que combina?!

 Achei estas imagens de um site e gostei das combinações que a dona fez. O que me chamou a atenção é que eu jamais pensei que estas cores e estampas combinassem, mas não é que combinam mesmo (!).







 In Cor Jesu et Mariae.

 Lucie.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Segurança na esperança.


 Quanta segurança existe em viver de modo cristão. Quanta alegria ronda um pobre coração abastecido de fé e cheio de esperança. Quantas graças Deus concede aos que buscam-nO e esperam-nO com sinceridade. Quantas respostas e certezas nos proporcionam a Fé e a Verdade, dando-nos a Paz tão necessária para viver debaixo de tantas contrariedades neste vale de lágrimas.
 Os namoros de nosso século, carregados de romantismos, baseados tão-somente nos prazeres sensíveis, são instáveis e inconstantes. Hoje se ama amanhã se duvida. Não há, pois, a segurança necessária e tão própria das relações de amizade. Pois que, antes de uma relação conjugal, deve-se construir uma sólida e estável relação de amizade.
 O amor que se tem ao próximo deve nascer do amor que se tem a Deus. É por amor a Deus que devemos amar ao nosso futuro marido, com uma caridade latente que deseja antes a felicidade e salvação do ser amado a qualquer outro bem; É este o amor verdadeiro. Um amor doce e sincero, que tem por fim a felicidade do outro antes da própria felicidade. Uma comunicação de bens e interesses que fortalece dia após dia uma sólida e frutífera amizade; amizade esta que tem a mesma fé e a mesma certeza nas verdades eternas.
 É por estes e outros motivos que os namoros verdadeiramente cristãos são assim tão seguros e alentadores, de modo que dúvidas e desconfianças não pairam para assombrar a fidelidade recíproca.
 Se ambos têm a certeza do caráter cristão um do outro não há que se pensar em ciúmes ou desconfianças, porque se o amor consiste em querer antes a felicidade do outro e se esse outro, tão querido por nós, já não tem a certeza de nos querer para esposa, que haveremos de fazer a não ser rezar por ele para que tenha mais certeza nas escolhas que faz?  E se nos trai com outra, devemos pensar que é homem digno de pena e não de ciúmes, porque traiu mais a Deus e sua infinita justiça que a nós mesmas, e nos cabe repreender e admoestar para que se confesse e não mais cometa pecado tão horrível.
 Os que desejam namorar de modo cristão devem ter sempre em mente a finalidade de tal namoro: O Matrimônio. E com vistas a fim tão honroso farão de tudo para que seu namoro seja um momento de preparação para entrarem de modo digno neste estado, para qual Deus nos chama. Devemos saber que o outro é imagem e semelhança de Deus e que devemos respeitá-lo e não ser nunca motivo de pecado para aquele que amamos.

 A finalidade do casamento é ainda mais digna e honrosa que a do namoro; e embora seja este apenas instrumento para entrar naquele digno estado de vida também tem sua parcela de importância e valor.
 É em um namoro católico que se conhece aquele que vai ser nosso companheiro para sempre. Se conhece e se dá a conhecer em um convívio sadio de amizade e companheirismo, onde os gostos e os hábitos se moldam um ao outro e os defeitos são reciprocamente vencidos com a ajuda de Deus. Na amizade pura e respeitosa que nos proporciona o namoro católico é que conhecemos um pouco de nosso futuro marido.
 Os namorados que sabem por que namoram tem sempre perspectivas e expectativas. Sabem que seu namoro não é um estado e sim um meio. Namoram para casar e isso alenta os corações e proporciona um maior crescimento na vida espiritual de ambos. Esperam com paciência o momento de cumprirem sua finalidade sobre a terra selando seu amor no santo matrimônio.
 Um namoro católico proporciona um constante crescimento do amor e do cuidado que um tem pelo outro e, por conseguinte cresce também o respeito, a admiração, o zelo, o carinho, a confiança, a certeza de ter feito uma boa escolha. Escolher um bom namorado quer dizer escolher um bom marido, e nesta escolha devemos nos pautar pelo caráter e gênio deste possível pretendente: se é bom católico e tem valores cristãos, e se tem boas intenções para namorar.
 Os namoros de nosso tempo não são assim. Escolhe-se a partir de um corpo ou rosto bonito, e sua finalidade são os prazeres que um proporciona ao outro, dando lugar a pecados horríveis e ciúmes desregrados. Os namoros de nossos dias são escandalosos e ofendem muito a Deus Nosso Senhor.
 Diferente das incertezas dos namoros do mundo em um namoro verdadeiramente católico acha-se a segurança de uma relação amigável e caridosa. Uma santa intenção que dirige duas vontades a um mesmo fim, e aqui é impossível não se lembrar do autor do Pequeno Príncipe que nos diz: “ amar, não é olhar um para o outro, senão olhar os dois para a mesma direção”. E que direção sublime e grandiosa é esta que leva dois corações a se unirem eternamente, num juramento recíproco, de amor e fidelidade "até que a morte os separe"? Que direção é está que faz os passos andarem ritmados e os corações baterem uníssonos? Que direção pode haver mais atraente de olhos tão miseráveis como os nossos, e de forças mais errantes que estas que temos? Nada, senão Deus Nosso Senhor, é capaz de tornar duas vontades tão unidas e fortalecidas, na mesma fé e mesmo amor a Deus.
 Namorar para casar. Casar para ter filhos. Ter filhos para Deus. Eis o rumo de minha vida, tão frio e simplório no esquema de uma linha, mas ao mesmo tempo, tão grandioso e honroso no esquema de uma vida.
 Sem saber o motivo de nossa existência é impossível existir dignamente. Sem saber a nossa finalidade sobre a terra, é impossível ser feliz verdadeiramente. E sem saber a finalidade do casamento é impossível cumprir com fidelidade o juramento que se faz a Deus. Se não se conhece os verdadeiros fins de um casamento, cai-se na primeira esquina de contrariedades e desentendimentos, e tão-logo se joga na lama o "amor" que se jurava eterno.
 É preciso construir sobre pedras e não sobre areia, já há muito nos alerta o Evangelho; mas como em nossos dias são poucos os que dão ouvidos a Deus, vemos por toda parte construírem-se castelos sobre a areia, e cedo ou tarde tudo se desmorona.
 E se pensarmos com olhos meramente humanos (e quão humana é nossa alma!) vamos querer alguém que nos complete, que nos preencha, que seja para nós o porto seguro de nossas inseguranças. Sim, é possível encontrar este homem, mas não adianta fazer dele a nossa “tábua de salvação”, pois, se esperamos que ele nos complete, ele espera o mesmo de nós. E este é o segredo das coisas que duram: dar e receber, senão na mesma proporção, ao menos com tudo que podemos. E assim os pequenos gestos serão verdadeiras tabuazinhas que farão parte da arca da nossa vida, e que desde agora nos dá a segurança de uma embarcação que suportará as torrentes da vida.
 E nessa segurança tão esperançosa achamos uma paz inigualável que só se pode experimentar num namoro cristão. E com tal segurança podemos então abrir os olhos para a vida futura, com filhos e netos até que a morte venha nos separar do companheiro desta tão curta vida.

 In Cor Jesu et Mariae.
Lucie.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Aos ouvidos...

 Esta música é um verdadeiro refrigério para minha alma. Ela é lindamente composta. E eu tenho o grande privilégio de ouvi-la do meu amado Bruno Inácio que está aprendendo estão canção no alaúde.

 É de Alonso Mundarra, compositor espanhol da Renascensa.


 In Cor Jesu et Mariae.

 Lucie.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Jovialidade modesta.

 Algumas imagens que nos inspiram a montar looks joviais e modestos.








 In Cor Jesu et Mariae.
 Lucie.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Viva Cristo Rei!

 Este vídeo faz um resumo do que foi a guerra cristera no México, no início do século passado.




 Para assistir o filme online: http://excerptos.blogspot.com.br/2012/09/filme-cristiada-santos-cristeros.html

Viva Cristo Rei!!!

 Lucie.

Só para inspirar...

 Embora a primavera já tenha chegado, ainda está fazendo um friozinho, então acho que podemos nos inspirar neste look e montar um parecido: vestido e casaco. As cores combinaram e o casaco amarrado alinhou o visual.
 Os botões grandes e paralelos indicam o estilo navy, e mesmo as cores (azul-vermelho-branco) lembram esse estilo, embora não tanto quanto as listras azul e branco.


 São apenas idéias para inspirar o friozinho que ainda temos, pois estas cores, apesar de terem combnado perfeitamente, chamam muito a atenção. Eu, particularmente, não usaria do jeito que está, talvez trocaria por uma cor menos viva. Gosto de cores sóbrias e neutras e quando uso cores assim mais vivas geramente são nos acessórios ou na blusa.

 In Cor Jesu et Mariae.

 Lucie.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Simplesmente feminina...


Esta blusa simples e delicada me encantou. É exatamente o tipo de blusa que gosto: soltinha com um cintinho. Também adoro estampa de poá e a cor também me agrada. A renda na gola está uma graça, e as mangas arrumadas assim deu um ar ainda mais charmoso. É simples, feminina e delicada. Amei!

Lucie.

Que a Graça triunfe!

Prezados, salve Maria!

 A Lygia agora se encontra em recuperação. Saiu da UTI e provavelmente vai ficar ainda alguns dias de observação, mas logo estará em casa, com a graça do Bom Deus. O que ela teve foi muito grave e quase a perdemos. Foi uma pneumonia muito forte, com derrame de pleura, água no pulmão e insuficiência respiratória. Ficamos com muito medo e nos pusemos todos a rezar, Nossa Senhora, que é a dispensadora de todas as graças, ouviu nossas orações e intercedeu pela pequena Lygia.

 Diante desta situação eu me lembrei das palavras do padre Daniel no sermão do último domingo que estive em São Paulo: "Deus permite o mal para que a Graça triunfe". E quantos não se puseram a rezar pela pequena Lygia, mesmo os de mais tíbia fé? Quantos não reconheceram-se impotentes diante de certas situações? E quantos não se puseram a pensar na morte, um dos novíssimos? Só Deus sabe as respostas, e talvez com o tempo vejamos alguns conhecidos nossos se tornarem menos duros de coração e se converterem de seus pecados. Deus queira que assim seja.

 Agradeço a todos que rezaram por ela, que  Deus os abençoe.

 Fiquem com Deus e com a Santíssima Virgem.

 Lucineia Santos.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Pedido de orações.


 Peço a todos que rezem pela pequena Lygia Elizabeth, filha de uma amiga minha. Ela está internada por causa de uma séria pneumonia, e seu sofrimento é grande. Eu a conheço desde bebê e a tenho como irmã.
 Estamos confiantes de sua recuperação, com muita fé em Nosso Senhor e na Santíssima Virgem, dispensadora de todas as graças, mas as orações serão muito bem-vindas. Sem fé, é impossível suportar...

 Certa vez ela me disse com toda ternura e inocência de seus 6 anos: "Lu, você queria ir para o céu AGORA", e percebendo a entonação no "agora" respondi-lhe que sim, que eu queria ir para o céu agora, ela se surpreendeu um pouco e me disse "eu também".

 Minha pequena Lygia, amiga tão querida de minha alma, rezemos a Nosso Senhor para que você fique boa logo. Vamos passar a vida juntas e entrar juntas na glória do céu.

 Com amor,

 Lu.

Visual inspirador.

 Gostei muito desta combinção. Adorei as cores! O cetim da saia tem ótimo caimento e ficou muito bom no corte godê. O cetim é muito bonito para roupas de festas ou ocasiões mais formais.


 In Cor Jesu et Mariae.

 Lucie.

domingo, 16 de setembro de 2012

A civilização do prazer.

Por Gustavo Corção.

Qualquer pessoa medianamente dotada e ainda não dopada pelo imperativo de um otimismo que é julgado hoje virtude máxima, e máxima lucidez, qualquer pessoa, em suma, que ainda não esteja possessa pelo Sistema, já percebeu que vive dentro de uma decomposição civilizacional cuja característica principal é a de um furioso hedonismo. Todos querem sentir, o minuto que passa, a golfada de ar que respira, a curva que faz a sessenta ou oitenta quilômetros numa rua movimentada. A fisionomia da juventude em tal clima é curiosamente apática, em contradição com o frenesi das reações, e quase se pode garantir que nunca houve em toda a história do mundo uma humanidade tão destituída de gosto e de prazer. Este paradoxo é aliás a bem conhecida contradição moral do prazer: o primeiro de seus malogros é a perda do prazer. Seria, porém, um engano tirar daí uma conclusão tranqüilizadora firmada na suposição de que tal malogro corrigirá o extraviado. Ao contrário, exaspera-o.
 
De onde vem esse extravio moral. Em cada indivíduo a moléstia procede de pequenas e primárias opções subversivas em que, por uma antiga dolência, essa alma volta sua preferência para as coisas exteriores e inferiores; e, deixando-se dominar, torna-se depressa escravo delas. A conquista das coisas inferiores nos afaga ao mesmo tempo o orgulho e a concupiscência, ao contrário do alcance das coisas do alto que nos aprimoram a humanidade e o gosto da sabedoria. O praticante da moral do prazer se torna grosseiro, embotado, às vezes enganosamente aprimorado na conquista de tais bens, e inevitavelmente, como já vimos, se torna exigente de doses maiores, de prazeres mais violentos.
 
Dias atrás dizia-me alguém com bem fundado estupor:
 
“Quando a onda do sexo passar, e os impotentes de amor descobrirem a enjoada monotonia do sexo sem amor, sem grande amor, passarão a matar. A matar em grupos. Comunitariamente. Haverá cursilhos para ensinar a matar sem ódio, como hoje se ensina o sexo sem amor”.
 
Como terá começado o fenômeno coletivo, civilizacional, que hoje tornou o Juízo Final assunto de café-em-pé? Creio que já abordei este assunto aqui e ali dúzias de vezes. É uma de minhas obsessões em resposta ao obsessivo rumo do mundo. Pode-se dizer que a história sofreu esta trágica deflexão no século em que os homens afirmaram um novo humanismo afrontosamente autônomo, como se fossem deuses, e afrontosamente afirmou uma nova religião de seu invento, onde Deus entrará somente como objeto indireto e remoto.
 
Neste tempo que apenas trouxe a eclosão de uma longa e misteriosa carga de ressentimentos acumulados, o orgulho do homem foi espicaçado pelo dilatado domínio das coisas exteriores e inferiores trazido pelas ciências. Muita gente até hoje não aprendeu que a Astronomia é um conhecimento inferior à Sabedoria: seu objeto, pelo fato de serem sóis e galáxias a dançarem numa distância de trinta milhões de anos-luz, ou mais, nem por isso é ontologicamente superior, à entomologia, que estuda formigas, cigarras e demais insetos prodigiosamente dotados de vida. Certamente espantarei alguém, ou confirmarei em alguém a hipótese já alimentada de minha insensatez, se disser que o cientificismo pós-renascentista foi um dos primeiros afluentes desta subversão torrencial cuja pororoca já se ouvem os rugidos. A especulação sobre as coisas inferiores, mas facilmente saborosa que a especulação sobre as coisas do alto, que pedem virtudes e dons, trouxe consigo o domínio efetivo, sobre as mesmas coisas materiais. A austera Ciência brindou-nos com a Técnica. A Técnica presenteou-nos com o delírio das sensações fortes , matar 200.000 habitantes de Hiroxima num segundo, ou ir à Lua como programa de televisão.
 
Eu já escrevi em Fronteiras da Técnica que a técnica é uma das glórias do homem, e que o domínio dos elementos é um direito de seus títulos. Racionalidade. Imagem e Semelhança de Deus. Mas também já escrevei e torno a escrever que certa catástrofe da história, como a querer repetir coletivamente o Pecado Original, nos trouxe a subversão cujos efeitos hoje nos afligem.
 
Não a todos; evidentemente, se a aflição consciente fosse geral esse temor assim difundido já seria o começo de uma sabedoria convalescente. Infelizmente, estamos muito longe de tal difusão. Entre os homens simples, ainda não deformados pela radioatividade da explosão nuclear do eu humano na Renascença e na Reforma, encontram-se muitos que já são sensíveis ao temor e tremor que andam nas almas sensíveis. Mas a maior aberração de nosso tempo não está nas exposições de pornografia , não está na busca desenfreada do prazer sob todas as formas, não está no alastramento do ateísmo que ganhou título de mentalidade oficial em mais da metade do mundo. Não, a maior aberração de nosso tempo está no entusiasmo com que os homens de Igreja aplaudem o dito mundo moderno e ainda censuram à Igreja a falta de tato de não ser atraente para os moços que correm atrás do prazer. Não invento, nem li tal disparate em discurso de algum vigário de Mato Grosso. Li essa queixa em Le Monde, que, com isto, exaltava o queixoso: o Cardeal Alfrink. Eis as palavras aladas do Cardeal holandês:
 
“Como explicar que a Igreja se mostre tão pouco atraente para os homens de nossa época? Os moços que andam à procura de Deus raramente se dirigem à Igreja? Por quê? Que fazer? Não deveríamos nós indagar se não somos nós que obscurecemos a mensagem evangélica?”
 
Respondo ao Cardeal holandês e a todos os outros que dizem coisa parecida, com o atrevimento de atribuir à Igreja verdadeira, à Tradição, aos Santos, à Nossa Senhora, ao Sangue de Cristo a fisionomia que os homens de nossa época acham pouco atraente.
 
E respondo dizendo: a Igreja verdadeira parece ter-se apagado como a estrela dos Magos, e em lugar de sua santa visibilidade vê-se um Sínodo, e dentro dele vêem-se e ouvem-se os senhores cardeais e arcebispos que se inculcam como Igreja, e que publicam, difundem, com grande aparato, tamanho e tão repulsivo amontoado de asneiras. Acrescento ainda uma resposta especial à pergunta: “Que fazer?” O programa mínimo que o pobre homem de nosso tempo ainda espera é a lealdade de dizer que a Igreja não é isto que fala pela boca dos Alfrinks, dos Arns, e outros duzentos. Como ninguém diz, e estou velho demais para fazer tais cerimônias, digo-o eu: eles mesmos dizem aos berros que já não são católicos e se envergonham de um dia terem pertencido a uma Igreja que não acompanha as orgia dos moços e dos velhos; eles querem agradar aos homens, ainda que isto os leve ao desprezo de Deus.


In Cor Jesu et Mariae.
Boa semana a todos!
Lucie. 

sábado, 15 de setembro de 2012

A descoberta da outra.

Por Gustavo Corção.

Um leitor que se diz assíduo, numa longa conversa telefônica, estranhou o pós-conciliar. O leitor entende o termo como se significasse a mesma Igreja Católica, na era pós-conciliar. Bem sei que nesse período conturbado continua a existir, na terra, a Igreja Católica dita militante. Ora, minha sofrida e firme convicção, tantas vezes sustentada aqui, ali e acolá é que existe, entre a Religião Católica professada em todo o mundo católico até poucos anos atrás e a religião ostensivamente  apresentada como "nova", "progressista", "evoluída", uma diferença de espécie ou diferença por alteridade. São portanto duas as Igrejas atualmente governadas e servidas pela mesma hierarquia: a Igreja Católica de sempre, e a Outra. E note bem, leitor: quando acaso der a essa outra o nome de Igreja pós-conciliar não quero de modo algum insinuar a infeliz idéia de que, após o Concílio, a Igreja de Cristo se teria transformado a ponto de tornar-se irreconhecível, devendo os fiéis de bem forma­da doutrina católica acreditar nessa nova forma visível da Igreja, por pura disciplina, ainda que a maioria das pregações e dos novos ensinamentos sejam ostensivamente diversos e as vezes opostos à doutrina católica. Não! A Igreja Católica e Apostólica continua a existir na era pós-conciliar, submetida a duras provações, mas sempre permanente e fiel guardiã do depósito sagrado.

Se o leitor me perguntasse agora quais são as essenciais diferenças que separam as duas religiões, eu responde­ria: diferença de espírito, diferença de doutrina, diferença de culto e diferença moral. Como terei chegado a tão assustadora convicção? Com muito sofrimento e muito trabalho, são milhares os católicos que chegaram à mesma convicção.

Começamos por confrontar os novos textos, as novas alocuções, as novas publicações pastorais com a doutrina ensinada até anteontem. A começar pelos textos emanados dos mais altos escalões, citemos alguns daqueles que mais dolorosamente e mais irresistivelmente nos levaram à conclusão de que se inspiram em outro espírito e se firmam em outra doutrina. Entre os textos conciliares, citamos os seguintes: Constituição Pastoral sobre a Igreja e o Mundo Atual (Gaudium et Spes); Decreto sobre o Ecumenismo (Unitatis Redintegratio); Declaração sobre a Liberdade Religiosa (Dignitatis Humanae); Discurso de Encerramento do Concílio, 7 de Dezembro de 1965; Institutio Generalis do Novus Ordo Missae: Ponto 7 (na primeira redação, de 1967, e principalmente a segunda redação de 1970). Além desses documentos dos mais altos escalões, poderíamos encher as páginas deste jornal com obras e pronunciamentos de cardeais, arcebispos, bispos e padres que eram bisonhos, retraídos e discretos quando tinham vaga consciência de suas deficiências filosóficas e teológicas e que subitamente descobrem que na "nova Igreja" podem dizer tudo o que lhes vem à boca que fala ou à mão que escreve. O que menos se conhece é a Teologia, mas o que mais abunda na Nova Igreja são os "teólogos da libertação".

Devemos dar especial atenção aos pronunciamentos das Conferências Episcopais que rarissimamente dizem coisa parecida com a Santa Religião ensinada por Jesus Cristo. Basta prestar atenção, ler, e comparar toda a prodigiosa logorréia dos reformadores com o que já lemos dos santos doutores, dos santos Papas, e de toda a Tradição católica. Eles não falam a mesma língua de nossa Mãe Igreja, não usam o mesmo léxico, não seguem o mesmo espírito. Evidencia-se com brutalidade dolorosa o fato de ter sido a Igreja invadida, ou de ter se deixado seduzir pelos mesmos inimigos que combatia. Uma das notas mais características do novo espírito é a da tolerância erigida em máxima virtude, e o correlato horror por qualquer espécie de luta ou combate. Os novos levitas corrompem a juventude, destroem as famílias, mas quando alguém ergue a voz pedindo punição severíssima para os seqüestradores e para os traficantes de drogas, logo começam a esganiçar gritinhos: Violência, não! Violência, não!

E aqui encerro a concisa resposta que dou ao leitor escandalizado: foi a atenta observação desses fatos, foi a paciente leitura de himalaias de mediocridade e foi a comparação gritante entre o que ensinam e o que ensinaram os santos, e creio que foi principalmente a graça de Deus certa­mente pedida cada dia, cada hora, nessa especial e gravíssima intenção, que nos levaram a essas conclusões. Se é preciso usar o recurso dos gritos que tanto usam hoje, gritarei eu também, e não esconderei a reação que tive em 1965 após a primeira leitura da Constituição sobre a Sagrada Liturgia: corri ao telefone do amigo mais próximo já chorando, já engasgado de soluços que me sacudiam o corpo todo. E gritei: eles estão loucos! Eles estão loucos! E mais não digo.
Vejo em seguida nos meios católicos um dilúvio de calamidades pavorosas. Nas melhores famílias católicas, tradicionalmente católicas, os jovens, pervertidos pelos professores de colégios católicos, se transformam em anormais, comunistas, criminosos seqüestradores, ou em inutilizados toxicômanos. Meu Deus! Como pode? Como pode? Como Pode? O mistério da permissão divina nos traz vertigens quando pensamos em tantos bons pais tão terrivelmente atingidos.

Mas quando pensamos que a crise de costumes que dissolve todos os valores morais de uma civilização é principalmente gerada pela impiedade e pelo orgulho dos homens, que reivindicam todas as liberdades e todos os direitos; e principalmente quando pensamos que é exatamente nessa hora sombria que os homens de Igreja julgam ter feito uma descoberta muito inteligente, e muito oportuna – a de se abrir para o mundo e até a de nele procurar inspirações para o novo humanismo que apregoam – então, com temor e terror, pensamos que a misteriosa permissão divina, já nos foi profeticamente revelada na Sagrada Escritura, e durará até o dia em que os homens descobrirem apavorados que desprezaram Deus, que contrariaram Deus, que se riram de Deus. E, nesse dia de espantosa desolação descobrirão "que não passam de homens" e que só Deus é o Senhor.

Neste ponto da entrevista, o leitor me faz uma pergunta muito séria e de importância capital:

Qual é, na sua convicção, o traço principal, o conteúdo essencial dessa Outra religião que o senhor vê nos re­cintos da Igreja Católica?

Mais uma vez insistido neste ponto: a desordem que se observa nos meios eclesiásticos e que produz tais malefícios, não pode  ser apenas uma pura desordem. A desfiguração da Igreja do Verbo Encarnado, isto é, da religião do Deus que se fez homem, tem uma figura: a da religião do homem que se faz Deus. Essa é a figura da desfiguração.

Não foi o próprio Papa Paulo VI quem disse no discurso de encerramento do Concílio que "a Igreja de Deus que se fez homem encontrou-se no Concílio com a religião do homem que se faz Deus"?

Exatamente. E se o amigo continuar a atenta leitura desse documento, se convencerá de que não exagero nem me perco em fantasias se lhe disser que a figura essencial da Outra é a de um humanismo que se torna uma nova religião que difere do cristianismo por seu desolado naturalismo, isto é, pela ausência da mais bela de todas as obras de Deus – a ordem da graça e da salvação.

Eles tentam disfarçar a chatice e a tristeza sinistra e feia, com retalhos de cristianismo sem vida  mas a anemia profunda do corpo sem sangue está na visibilidade da Outra que só serve para eclipsar a Santa Visibilidade da Igreja de Cristo.

E como poderá a Igreja Católica desembaraçar-se desses equívocos e voltar a ser  visível, dourada, um pouco mais hoje, um pouco menos amanhã, mas sempre anunciando aos homens, aprisionados no efêmero, um Reino que não é deste mundo?

O senhor espera ainda ver neste mundo a Igreja Militante em todo o seu esplendor?

Não. A desordem é profunda demais e chegou aos vasos capilares dos membros da Igreja. Se ela não fosse obra sobrenatural de Deus eu diria, em termos usados pelos físicos, que a desordem é sempre prodigiosamente irreversível.

E, no caso, a improbabilidade de tal recuperação seria ex­pressa por números espantosos como dez elevado a menos mil (10-1000) que, na verdade, não exprimem nada. Não são números concretos nem entes de razão; quando muito diríamos que só são entes de giz no quadro negro. Emile Borel dizia francamente que, diante de tais improbabilidades, é melhor dizer simplesmente que são impossíveis. Mas nós aqui estamos  falando da mais maravilhosa das obras de Deus:

"Deus qui humanae substantiae dignitatem mirabiliter condidisti, et mirabilius reformasti"

E o que a nós parece impossível, é possível para Deus. Mas nossa esperança teologal não nos obriga a esperar acontecimentos neste mundo. No ponto da vida em que me acho, só posso esperar, pela misericórdia de Deus e pelo Sangue de Cristo, a felicidade de ver brevemente a Igreja do Céu em toda a sua beleza eterna e fora do alcance dos flagelos humanos.

E é a alegria dessa esperança teologal que, nestes dias de transição desejo aos meus leitores e companheiros de trabalho.

(O Globo, 29/12/1977)

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Simples e modesto.

 Gostei bastante desta composição. Ficou semples, bonito e modesto.




 Bom final de semana a todos.

 Fiquem com Deus!

 Lucie.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Para terminar o inverno...

 O fim do inverso se aproxima, e com ele aquela sensação de "usar muitas roupas" também desaparece. É preciso tomar cuidado para não deixar a modéstia mais "tolerante" com a chegada de épocas mais quentes. É preciso perseverar na virtude sempre, e usar as estações (frias ou quentes) a nosso favor. Com um pouco de esforço podemos estar sempre lindas e modestas.

 Eu, particularmente, gosto muito do outono e do fim do inverno, pois é quando podemos nos vestir com roupas elegantes e quentinhas.

 Quando o inverno está no seu auge, nos seus dias mais "tremulosos", eu não consigo montar looks com facilidade, porque sou friorenta demais e coloco muitas roupas. É a época do inverno mais sofrida para mim, onde apenas consigo pensar em casacos-botas-cachecóis, e a idéia de caprichar nem me passa pela cabeça.

 Mas, aproveitando que ainda estamos no inverno, deixo aqui algumas dicas que podem ser aproveitadas.

 Gosto bastante de colocar cinto com cardigã aberto como ela fez. Acho que fica bonito e delicado. Não gostei muito da bolsa, este estilo country das tirinhas não me agrada. O cuidado aqui é com a cor do vestido, que pode ficar sugestivo.

 
 O jeans não costuma ser quente, mas se colocarmos uma segunda pele por baixo irá ficar bom. Gostei bastante deste também. Acrescentaria apenas um lenço grande para aquecer o pescoço. 

 O Cinto poderia ser mais delicado, mas do jeito que está também ficou bom, dando um ar campestre ao visual.

 Sinceramente eu não sou fã de gorros como este (rs), mas uma boina discreta e quentinha é uma ótima opção para aquecer. O tecido deste vestido parece ser fino, o que pode ser bom para adaptá-lo também nas estações quentes.
O cinto alinhou o visual

 Eu dispensaria o chapéu e trocaria os sapatos, mas de resto está ótimo.


  Uma saia maxi feita de retalhos, ideal para os dias frios por seu volume e textura.

 Espero que tenham gostado, e que aproveitem o fim do inverno.

 In Cor Jesu et Mariae.

 Lucie.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Transforma-se o amador na cousa amada.

Luís de Camões


Transforma-se o amador na cousa amada,
por virtude do muito imaginar;
não tenho logo mais que desejar,
pois em mim tenho a parte desejada.

Se nela está minha alma transformada,
que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
pois consigo tal alma está liada.

Mas esta linda e pura semidéia,
que, como o acidente em seu sujeito,
assim co’a alma minha se conforma,

está no pensamento como idéia;
[e] o vivo e puro amor de que sou feito,
como matéria simples busca a forma.


 Camões está no centro da poesia de língua portuguesa por diversas razões. Mesmo algumas décadas depois de Sá de Miranda ter introduzido o verso decassílabo em Portugal, faltava ainda quem o naturalizasse, encontrando a melodia própria da língua. Samuel Johnson disse que, depois das traduções da Ilíada e da Odisséia por Pope e Dryden, nenhum poeta inglês deixou de perceber a melodia de seu idioma; certamente foi Camões quem nos fez ouvir pela primeira vez a música do português em “medida nova”, dando um passo além da perfeição métrica – e mesmo essa foi conquistada a duras penas, como pode observar quem quer que leia as primeiras tentativas lusitanas de domar o decassílabo.

 A isso acrescentemos sua clareza e economia inigualáveis, qualidades que, quando reunidas, produzem um efeito de sugestão propriamente poético, ou aquilo que Ezra Pound chamava de “linguagem carregada de significado”. É essa concentração que faz com que, diante de diversas situações, recordemos um verso, um trecho favorito; porque, por reunir simultaneamente vários significados distintos numa fórmula simples e musical, voltamos inevitavelmente a ele, como se, após termos depurado a experiência pela reflexão, sempre surgisse a mesma pérola, com o mesmo brilho, independentemente da nossa vontade.

 “Transforma-se o amador na cousa amada”. À primeira vista, a afirmação, tirada de Petrarca, parece misteriosa. Mas isso é porque ela elide uma parte do raciocínio. O amor que transforma aquele que ama na “cousa amada” infunde na alma do sujeito as qualidades percebidas no objeto. Um homem pode amar uma mulher por perceber nela uma certa beleza que lhe serve de inspiração, mas também pode vir a perceber que a posse imaginativa daquela mulher traz para sua alma as qualidades que ele antes só percebia fora de si. Por isso é que o meio de transformação é o “muito imaginar”. Camões termina o primeiro quarteto tirando a conclusão óbvia: se há posse, deveria acabar o desejo.

 O segundo quarteto levanta uma objeção. O desejo continua. Afinal, o “amador” não é uma pura alma, mas também um corpo. Camões sugere que é “algo mais” que o corpo deseja, algo além daquilo que a alma já possui, e diz, sugerindo a subordinação do corpo à alma, que deveria submeter-se. Mas logo o primeiro terceto faz uma ressalva esclarecedora, não muito distante em estilo das ressalvas que faz São Tomás de Aquino na Suma Teológica: por mais linda e pura que seja, não passa de uma idéia, e é próprio das idéias existirem apenas no pensamento. O corpo tem suas necessidades, que podem ser pensadas, mas pensá-las não é suficiente para satisfazê-las.

 Camões, porém, não termina o poema como advogado do corpo, mas retoma o amador por inteiro, dizendo-se feito “de vivo e puro amor” que “como matéria simples busca a forma”. Não é seu corpo que é “matéria simples”, mas toda a sua pessoa. Ainda que a crítica, um pouco enfeitiçada pela presença de palavras como “alma”, “idéia” e “acidente”, costume ler o poema como um embate entre Platão e Aristóteles, Camões parece apenas descrever uma experiência paradoxal, que formula sem resolver. É ele, por inteiro, que deseja ser moldado por outra coisa; é ele, por inteiro, que se declara “matéria simples”, desprovida de ser e pronta a transformar-se naquilo que ama. Esse amor busca a forma “por muito imaginar” e simplesmente esquece do corpo. Ele gostaria de transformar-se por inteiro, mas a posse imaginativa não pode oferecer isso, e por isso continua desejando, à revelia do corpo insatisfeito, dando a entender que aí está um sinal de que algo está profundamente errado em toda a equação.